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15 กันยายน SOMOS AMANTES
Somos amantes Inter-seccionados
Esquecemos o Mundo
Fechamo-nos Nas nossas próprias conchas…
Esquecemos os homens
Queremos ser só nós Nada mais importa…
O Amor preenche-nos Por completo
Alimenta Os nossos corpos Ardentes…
As nossas almas Inundadas Da mais intensa alucinação…
Temo-nos um ao outro E isso basta…
É mais do que tudo Está para além do Nada…
Tornamo-nos esféricos Auto-suficientes…
Esquecemos O próprio Universo
Somos o mesmo corpo A mesma alma O mesmo sangue O mesmo plasma A mesma pele…
Somos um só organismo Que se auto-preenche Sempre prenhe de fertilidade…
Esquecemos a vida Cá fora Repleta de futilidades….
Esquecemos a morte Somos eternos…
Isabel Rosete (06/08/07)
SINTO A HUMANIDADE
Sinto a Humanidade Penso nos Homens No mundo que construíram Em pleno estado de combustão
Os meus horizontes auditivos alargam-se Escuto o pulsar inquietante De todos os corações aflitos Amargurados Despedaçados…
Já não ousam sonhar Já não ousam ter esperança Mesmo que Numa aura longínqua Sintam Pressintam A vizinhança Da salvação
Violência Crime Desrespeito Pelos direitos fundamentais Da Pessoa Humana Enchem a panóplia Do mundo em que vivemos...
Isabel Rosete (14/07/07) PENSAR A HUMANIDADE
Pensar a Humanidade…
É descortinar o abismo do Ser
O inquietante momento originário
Do Tudo e do Nada
Pensar a Humanidade…
É presentificar
A metamorfose
A mudança
As múltiplas faces
De entes camalionicos
De entes que vagueiam
Em derredor
Do seu próprio círculo
Descentrado
Do ponto-chave
Da gravitação
Universal…
Pensar a humanidade…
É o des-velar de caminhos cruzados
E entre-cruzados…
De encontros
E desencontros…
Do determinismo
Da liberdade…
Do livre-arbítrio
Da vontade…
De uma racionalidade
Que apesar
De todos as calamidades
Ainda se considera imaculada…
Nascemos com o rótulo
De “animais racionais”…
Mas o que diremos
Dessa “racionalidade”…?
Perante o vandalismo
O des-equilíbrio
O caos…
A inversão dos valores
A indignidade
Do ser Pessoa
A des-humanidade…
Isabel Rosete
(14/07/07 - 5.00h)
NÃO SEI VIVER
Não sei viver Sem sonhar Sem o prazer Imenso De uma terrível Ou doce ilusão
Sair Evadir-me… É uma necessidade Cada vez mais Imperiosa
Preciso viver outros mundos Outros espaços Outras gentes Outras realidades Outros universos Outros planetas Outros…
Como se a realidade Presente Esta em que vivo Se esgotasse Num instante
Ficasse vazia Sem essência, Sem nada
O Mundo é Tão grande E tão pequeno Ao mesmo tempo…
Esmaga-me Transporta-me Para outros lugares Reais Ou imaginários
Preenche-me E torna-me vazia Num paradoxo infinito De um jogo de forças contrárias Em atracção E exclusão Permanentes…
Tudo morre Tudo nasce Tudo se transforma
Nada permanece… Nada permanece…
A perpétua mudança Instaura-se Num equilíbrio indelével…
E o Ser está aí Permanecente Em cada alvorecer Em cada desfloramento Ocultando-se De todas as coisas… Desvelando-se Em todas as coisas…
Isabel Rosete 06/08/07
EIS A VIVA EXPRESSÃO
Eis a viva expressão Por finos traços De quem agarra a vida Por todos os fios Possíveis De um imaginário Sempre reprodutivo
Quais traços Que descem E ascendem Em múltiplas direcções
Indicam o infinito Que nos apraz bem
São múltiplos os caminhos Não todos os caminhos
Mas os caminhos das palavras Das notas Que preenchem a partitura Que torna presente Todos os sons
Há sempre um som que nos embala Que nos faz vibrar Estremecer ou sonhar Por entre as linhas Nem sempre unidas Dos finos traços Que delineiam os caminhos
O chamamento do som Emerge Que grande promessa…
O som estridente Cristalino do sino Semi-oculto Semi-descoberto Que envolve o corpo e a alma De quem ainda sabe escutar
A escuta Qual motor do mundo Que faz mover o pequeno corpo da bailarina Cujos gestos Mesmo os mais simples Manifestam a pureza De uma alma A nobreza de um carácter Em momentos De perpétua comunhão
Esse corpo e essa alma Que fundidos Se dão a outros corpos E a outras almas Nunca em vão…
Dançam ao som De todos os acordes Fazedores do renascer Em cada instante De um Ser outro De um Ser Sempre renovado Algures Camuflado No seio Da nossa própria interioridade…
Isabel Rosete (1999)
UM OUTRO...
Um outro…
Sempre em ânsia pela hora Em que chegará essa criatura Que tanto amo.
Criatura? Sim. Porque não?
Todo o ser humano é uma criatura, Quiçá, Uma bênção de Deus, Uma dádiva da Natureza…
Trabalho e penso no seu rosto, A cada instante. Nesse jeito calmo de ser, Terno, Com um cheiro de malícia E extrema sensualidade Inconfundível Que percorre todo o seu corpo E a sua alma.
Uma alma que vive intensamente Cada momento Da sua existência individual e colectiva, Como se cada momento fosse O último da sua vida…
Respira e expira a própria vida; Sempre a expira pelas largas narinas Desse rechonchudo nariz, Que diz, Ser a única peça que não se harmoniza Com o seu rosto moreno, Moreno – bombom…
Aí estão apensos uns profundos olhos negros, Que dizem ver sempre mais longe, Até mesmo nos olhos dos outros, Quando os observa Na mais profunda intensidade; Sem pestanejar, Tão fixamente, Como as estrelas que, No céu estrelado, Mantêm o seu brilho. Um brilho denso… quase eterno…
São pérolas negras Que fustigam o meu olhar, Que me trespassam Na minha própria visceralidade, Tal como a penetração Do seu membro erecto Que encaixa e rodopia no fundo da minha intimidade.
Há sempre uma certa magia Em todos os seus actos, Em todos os seus gestos…
Na sua voz grave, Ao mesmo tempo, Doce e terna, De sons gerúndios, Como é típico de todo o ser da América do Sul. Essa magia apaixona, Fascina, Atrai, Como um hímen a limalha de ferro.
De repente, Penetra-nos, Quase sem darmos por isso.
Envolve-nos num misto de sedução, De prazer e de felicidade, Que não é momentânea…
Perpetua-se em cada sinal, Em cada movimento De um corpo deambulante, Exemplificante da singularidade Da alma que o habita;
Tão livre como a da ave que, A qualquer momento, Sabe que pode abandonar a sua gaiola, Mas não a sua prisão.
Vagueara, Quiçá, sem destino, Pelas múltiplas paragens da vida E de todos os destinos humanos.
A atracão que exerce É estranhamente intensa, Torna-se quase inexplicável, Indizível… Inefável… Pertence ao domínio inviolável do SENTIR, Excedendo todo o campo semântico, Por mais Intenso e rico que ele seja.
Tem um toque diferente, Como, Se às vezes, Pertencesse a um outro mundo, A um outro espaço, Que extravasa a vulgaridade De todas as possíveis vivências quotidianas.
Mantém tudo no seu preciso lugar, Como se em si residisse, Irremediavelmente, Um “lugar natural”, Um topos para cada coisa. Todo o desvio é assumido como uma violação inevitável.
A sua presença é tão envolvente, Tão cheia, Tão redonda, Que nada pode deixar de fora.
E aí permanece Como a aranha na sua própria teia.
Todos os seus movimentos Rodopiam nas malhas dessa teia gigantesca, Abrangedora de tudo o que o rodeia, Até mesmo de tudo aquilo De que não tem consciência imediata.
O seu estar Presentifica o próprio Universo; Como se só existíssemos os dois; Como se isso A que chamamos realidade Entrasse em nós, Totalmente.
Nada, Absolutamente nada Pode estar fora do nosso alcance.
Emerge a sensação de absoluto, De Totalidade, Como se nós e Mundo Fossemos uma e a mesma coisa.
Todas as dualidades desaparecem. A união das partes é, De tal modo, Plena, Que a divisibilidade não tem lugar, Em nenhum momento.
Em nós, Permanece o Cheio, O Aberto, Em perfeita comunhão.
E a vida, Apesar de todas as adversidades, Torna-se tão simples, Tão singela, Tão leve, Tão radiosa, Tão apetecível, Que o próprio dormir Não é efémero, Mas um eterno momento de serenidade, De paz, Tão sólida e inevitável, Que nada parece poder deixar de alcançar.
Sempre que esses dois seres se unem, Até ao mais íntimo de si mesmos, O mundo, Neles também penetra, Na forma da mais pura e bela gratuitidade, Que alguma vez Se possa sentir ou imaginar.
A “paz perpétua” assoma, Mesmo nos momentos Onde se gera a agonia, A ansiedade, A angústia, Quando extravasa, Pelo álcool, O néctar dos deuses, Os limites da dita racionalidade, Da dita sobriedade...
São esses os momentos de excesso, Da pura embriaguez catártica.
Os meandros, As fronteiras, Do seu pensamento, Esbatem-se Até às lágrimas.
As ideias, Os sentimentos E pressentimentos, Fluem, Transbordam, Como um rio, Do seu próprio leito.
Há, Nele, Um excesso de caudal Que só a embriaguez despoleta.
Depois, Volta ao silêncio; Ao silêncio da voz. Mas nunca ao silêncio do pensar.
São os momentosos da introversão que, A catarse da embriaguez, Voltará, Depois, A fazer brilhar.
Mas com tanto sofrimento, Com tanta angústia, Que o mundo parece desabar.
A queda é, assaz, efémera, E logo do caos se ergue, De novo, A ordem, Quando diz: “acordar para a realidade”, Numa necessidade De dela sempre se evadir…
Este é o comportamento típico De todo o ser sensível, Plenamente consciente Das atrocidades da Existência humana, Em pleno E permanente sobressalto.
Urge esquecer tudo, Entrar numa outra ordem, Num outro espaço, Trazido por todos os alucinogénios.
E, nem por isso, A ressaca, É assim tão terrível…
A lucidez parece nunca ser Totalmente perdida. É apenas desviada Para outras paragens, Que a imaginação Requerer percorrer.
O mundo e os homens Obrigam-nos a esse esquecimento, Em prol, Mesmo, Da mais efémera ilusão de serenidade.
Nestes momentos, Torna-se um outro de si mesmo. O seu corpo Lânguido, Derrubado, Perde toda a sua natural sensualidade magistral.
Vacila entre o Ser e o Não-ser, Entre o tudo e o nada, Como se quisesse penetrar, De um modo hiperbólico, Nas entranhas de tudo,
Como se fosse uma cobra Que entra pelo meio do silvado E que, Depois de estarrecida, Aí permanece exposta, Desarmada, Porque exausta, Depois de ter comido a sua presa.
Não tem mais forças para se erguer. Quebrou todos os escudos, Tornou-se completamente indefeso, Confundindo-se com o próprio chão, Onde caiu E amoleceu instantaneamente. Sem mais…
Aí permanece estendido, Não com os olhos penetrantes, Fulminantes, Mas amortecidos, Semicerrados, Pelo excesso que neles assoma, Oriundo da aura que espelham.
A alma, Também ela derretida, Despedaçada, Sempre à espera de um novo reencontro consigo mesma, De mais um nascimento, Entre tantos outros passados E entre tantos outros que possivelmente Se adivinham…
Isabel Rosete 02/02/2001
AMAR É O DESESPERO DE UM CORAÇÃO CARENTE
Amar é o desespero de um coração carente À procura da outra metade que o complete
Somos incapazes de nos completar a nós mesmos Precisamos sempre de um outro Qualquer um outro… Procuramos o outro de nós…
Essa terrível e eterna dependência do outro Que não conseguimos Encontrar em nós …
Que desgraça A do coração humano, Sempre em falta, Irremediavelmente só e despedaçado
Lamenta, Lamenta-se…
Não sabe estar só, Dialogar consigo mesmo
Encontra, No seu âmago, O vazio Do seu próprio preenchimento
Amar, É coisa dos homens Sem dúvida Desses seres solitários, Incapazes de percepcionar A solidão como outra forma de amor: O amar-se a si mesmo…
E isso não basta, A estas criaturas errantes?
Não Não basta… Nada basta…
Há sempre um mais e um depois, Que aflora Em todos os pensamentos, Até mesmo, Nos mais recônditos, Inconscientes….
Isabel Rosete 09/05/20007 (6.00h)
ANGEOLOGIAS EM PROSA POÉTICA
ANGEOLOGIAS EM PROSA POÉTICA
Entrar no universo dos Anjos.
Uma metafísica angeológica se nos impõe.
Mas também uma ontologia uma diferença ontológica, uma escala de gradação de entes, de criaturas, na sua irredutibilidade ontológica, ou “enteológica”, uma diferenciação topológica e cronológica, no traço invisível da dualidade cosmológica.
Dois mundos completamente distintos se presentificam, se interpenetram, pelo mais ténue sopro que choca com o rosto dos homens, um sopro oriundo de um a presença incógnita, que se sente e presente, mas que não se vislumbra mais…
Pela mão que toca no ombro, num momento de angústia ou de desespero existencial, para acalmar, apaziguar… ou para trazer a esperança da vinda de um mundo mais radioso, isento de vazio e de solidão.
O toque de uma mão também não vista, mas incomensuravelmente sentida, por um encéfalo, fonte de inteligência, de recordação e de afecto, que comunica monadicamente com outros encéfalos, no seio da multidão, da massa humana indiferente e indiferenciada, do caótico trânsito da cidade minada por projectos ideias, onde ainda se medita, em escassos momentos, sobre o sentido da vida e da morte, do ser, do não-ser e do nada… em busca de um caminho que entrelaça o mesmo “jardim de caminhos que se bifurcam”, entre uma visão a cores e outras a preto e branco.
Sim, “os caminhos que se bifurcam”. Qual universo borgesiano, onde, a cada passo, se ergue um labirinto, no qual todos os homens se perdem…
Um labirinto perdido, infinito, um labirinto de labirintos. O labirinto do Minotauro…
Um sinuoso labirinto crescente, abarca o passado e o futuro, envolvente, ao mesmo tempo que indeterminado e proporcionador de um conhecimento abstracto do mundo.
De longe se vislumbram os restos de tarde, entre os caminhos que se bifurcam, entre as várzeas indistintas…
Paira uma música, ao mesmo tempo aguda, grave e inquietantemente suave, agressiva e embaladora, mágica e embriagante.
Silábica se aproxima a melodia, ao mesmo tempo que afasta, no vaivém do vento que as folhas faz mover. Encaminha os bandos de pássaros que o céu povoam, como nuvens escuras, anunciantes de tempestades...
E aí se encontram os Anjos, no alto, eternos observadores dos homens; mensageiros, comissionários das palavras, anunciadores, intermediários, companheiros, guardas e sombras dos homens.
De assas brancas ou negras, neste tempo de indigência, são entes alados, vagueantes num espaço atópico, num tempo intemporal, num tempo redondo, num espaço e num tempo outro, fora do alcance dos homens.
Atentamente viajam, vigiam e escutam, penetram na interioridade dos homens, eles que são “Nada”, e estes “Tudo”...
É o mundo dos Anjos, eternamente invisíveis, sempre “tão longe e tão perto”, “nas asas do desejo”, entre o mundo dos homens, da efemeridade do visível, das coisas mutantes, da permanente metamorfose, da qual não temos fuga possível, até que a morte nos separe, até que vejamos esse outro lado da vida que não está iluminado, virado para nós…
Assim nos informou Rilke, o poeta do Anjo belo e terrível, consagrado islamicamente, nessa vida confinada à celebração da Vida, à morte e aos amantes, aos terrestres e aos celestes, ao Aberto, à Terra silente, que grita desesperadamente perante o ruído ensurdecedor das máquinas…
Isabel Rosete 2 de Fevereiro de 2005 PENSAR
Pensar
Pensar é ver as estrelas, Que um dia, Desabaram sobre o tecto do Mundo.
Pensar é ler o além, tão esperado, Como desesperante, Face ao ministério do mundo, De que apenas temos sinais, Signos e vestígios de signos.
Vem o martelar da água salgada nas rochas, Que habitam as praias desertas; Essas, onde passam, De sobrevoo, As gaivotas E, por vezes, Os homens Em busca da serenidade Outrora perdida.
Deambulam pelas areias movediças, Autênticos palcos do mundo Onde constroem e destroem As suas próprias moradas.
Uma linguagem incompreensível Vocifera das suas próprias bocas, Com o sabor amargo Da vida não vivida Em terreno firme.
A vida, O trampolim, A barra olímpica Onde caminhamos em perplexos des-equilíbrios, Ao sabor do vento Que bole nossas pernas trôpegas, Como se mal tivéssemos começado a andar.
Nada se fixa no e sobre o homem. E se o mundo é composto de mudança, A metamorfose é o traço do viso desta humanidade, Que a ritmos triclitantes, Cresce dentro desse ser cheio de vazio que somos, Cada um de nós, Um dia rotulados de “animais racionais”, Pretensamente, Supostamente, Pensantes, Inteligentes, Portadores de um raciocínio lógico-discursivo, Hipoteticamente emersos do melhor dos mundos possíveis,
E, afinal, O que queremos de nós, Seres errantes?
E o que queremos do Mundo Que em torno de nós Se move A uma velocidade incomensurável?
Ou desfazemos essa aura de entes Onde fomos depositados, Um dia, Sem que o nosso querer Fosse chamado a opinar Sobre esse modo de existência de caos e de ordem Que, afinal, nos caracteriza, De que somos co-autores e co-produtos Voluntária ou involuntariamente?
Perdemos o rumo, O norte. Mas encontrámos o fio de Ariana Que comanda o nosso Destino. Destino? Mas que Destino? O de sermos uma humanidade emaranhada Nos nós da sua própria teia?
Ariana e a aranha Estão sobre a caução de um certo e mesmo invólucro, Tão opaco, como transparente, Tão sublime, quanto miserável.
E, apesar disso, Ainda podemos falar Da harmonia heracliteana dos contrários? Do caos criativo que, Quiçá, Gera a nossa própria ordem desordenada?
Definitivamente, Somos viandantes. Passageiros de múltiplas paragens, Sem lugar certo e determinado, Sem pátria, sem habitação, sem morada… Permanecentes metamorfoses de espaços de combustão, Do Tempo finitamente infinito, Que também nos domina, Enquanto temos a vã pretensão De o controlar pela minuciosa máquina Que o nosso pulso suporta, Sempre voltada Para os nossos olhos ansiosos De um tempo outro, Onde qualquer ideal possa ser consumado, De preferência, “ad eternum”.
Que ilusão, somos nós, Homens! Entes de palpites inconstantes No pulsar do mundo Que nunca adormece. Desse mundo inquieto, Por vezes, Turbulento, Que gira sobre nós próprios, Que nos faz mover Dentro e fora das nossas órbitas, No espaço debilitado da nossa condição De estritos seres de passagem, Em digressão, Sabe-se lá para onde…
Os pratos da balança Já não se equilibram mais. A medida certa acabou. A incerteza, A dúvida, É o paradeiro do nosso próprio caminhar Em terreno Irremediavelmente movediço, Ao mesmo tempo que estanque… Sempre nos prende as pernas, Sempre trava o nosso caminhar.
Que ilusão, a dos homens, Em querem ser senhores, Dominadores do universo, Físico e humano, Que escassamente habitam.
E o Mundo está aí. Permanece imutável, Na sua essência, Apesar de todas as investidas de uma humanidade, Sempre solitária Que acompanha o furor Das multidões em revolta, Contra o imposto pelas Instituições, Pela Natureza;
De uma humanidade que, Um dia, Alimentou a vã ilusão de Tudo manipular, De ser a gestora de um Universo que, Amiúde, Gosta de se esconder, Na sua mutabilidade camaliónica.
Isabel Rosete 19.01.2001
ODEIO A HIPOCRISIA
Odeio A hipocrisia A solidão das multidões Que crescem Em espaços vazios Dispersos Indiferentes…
O outro Ali apostado Atónito Num mundo que não é mais só seu
As viagens são múltiplas Os caminhos diversos Os do Ser e os do não-Ser Os do Nada…
A metamorfose A mudança Comandam o mundo
O Ser não permanece mais Na sua imutabilidade originária
As sombras As aparências Ofuscam o olhar Dos que querem ver A essência O miolo De um pão bolorento…
A identidade perde-se Somos o mesmo rebanho
Corremos na mesma direcção E já nada identificamos com precisão
A amalgama do mundo Corre nas nossas veias
Do caos faz-se a ordem Do império da Razão Transmutamo-nos Para o reino dos sentidos Holisticamente conjugados Numa teia emaranhada De sendas e vendas Num regresso à unidade primordial
Odeio O “politicamente correcto” A ausência de Ética… O falso puritanismo Dos não puritanos A pretensa intelectualização Dos pseudo-intelectuais Os rótulos existenciais Dos que ignoram a diferença Dos que lutam em prol da diversidade
Odeio Os que vivem da vulgaridade De um estar que não é o seu Os que ultrapassam As barreiras do humanismo
Odeio Os discursos retóricos As palavras que iludem a alma E que nada dizem
Esses discursos demagógicos Que ludibriam a Razão Que enternece os inocentes Com falsas promessa Sempre adiadas… Nunca cumpridas…
Odeio A guerra As matanças desenferadas Dos povos desprevenidos Dos que vivem em paz perpétua E não ficaram Para escrever outros opúsculos
Odeio O Mundo na sua prepotência Os estados totalitários Tirânicos Opressores dos oprimidos
Odeio A má fé Os sorrisos abertos Dissimulados Que aniquilam os outros
Odeio As gentes Que não sabem distinguir A realidade da aparência A sombra do arquétipo A cópia do modelo
As mentes transviadas, Eternamente transviadas Em pleno caos intelectual Em permanente desvairo Mergulhadas num espaço quadrado Onde todas as ideias Esbarram em todos os vértices…
Odeio As pretensas acções morais De todos os Narcisos Esquecidos dos deveres para com o outro
Odeio A Humanidade Pela ausência de solidariedade Para com as causas mais nobres, As menos vísseis Pela propaganda enganosa Que fez da caridade Um verdadeiro momento de glória…
Odeio… Odeio… Odeio tanta coisa… Neste Mundo que age Inconsciente Em nome de vã glória…
È tudo tão descartável Que os Homens já não sabem mais Qual o seu topos originário Há muito perdido No Labirinto do Minotauro Sem nenhum fio de Ariana Por perto…
Isabel Rosete
9/6/2007 (5.50h)
NÃO POSSO PENSAR
Não posso pensar No rosto dos homens Sem ver o interior Da sua Alma…
Cada acto É um sinal Visível Desse interior…
Em fragmentação Em sobressalto Em agonia Em prazer Em comoção…
Tudo se passa Como se alguma coisa Lhe faltasse
Um sorriso Por vezes Doce Por vezes Pardacento…
A Alma humana Destituiu-se de si….
Paira Na bruma Das tardes cinzentas Sem paz…
Percorre Os infinitos caminhos do Mundo…
Procura o Paraíso Em todos os corpos outros Sem saber Qual a sua linhagem…
Ofusca-se com os raios do Sol Vagueia pelas ondas do mar Revoltoso…
Parceiro dos ventos do Norte Que consigo Tudo arrastam…
A Alma Esse sopro de Vida Não cabe mais Dentro dos seus próprios limites…
Transcende-se Rumo ao encontro De todos os desencontros Ao impossível de todos os possíveis…
Evada-se nas densas dunas Das praias desertas Onde se respira A virgindade da Natureza…
Onde se escutam Os sons primeiros Vindos das profundezas Do mar Salgado…
Ora verde Ora azul Ora vermelho Pelo sangue dos corpos Nele derramados…
Quantas batalhas Quantas guerras Nele foram sepultadas…
A Alma humana Co-afim com o mar…
Em revolta Se move Em calmaria Se descobre…
A eterna beleza das coisas simples Que escapa Ao turbilhão do mundo…
Isabel Rosete (06/o7/o7)
CONTRADIÇÕES
Contradições
Vivo o intenso desespero do ser e naõ-ser ao mesmo tempo, Do querer e do não querer, Do considerar que posso ser feliz, Mas ao mesmo tempo de me ver impotente Para alcançar essa felicidade, Tão desejada… Tão esperada… Eternamente vivida num tempo outro
Luto drasticamente contra mim mesma Para realizar os meus sonhos Ao mesmo tempo, Não sei se vale a pena
Estou farta de lutar contra mim, Contra o mundo que não me compreende E no qual não me integro
Sinto-me “atopos”, Quiçá, “Persona no grata”, Ao mesmo tempo que desejada, Amada, Odiada, Perseguida pela inveja, Pela tentativa de aniquilação dos outros Que me rodeiam, Sempre dispostos a destruir o meu sossego psíquico, O meu equilíbrio espiritual…
Mesmo assim, Permaneço, E Aqui estou…
Isabel Rosete, 17/01/2003 AMO O SOL
Amo o Sol Tudo o que brilha Numa intensa e vã agonia
As palavras soltam-se Da minha boca Como dados certeiros
Aos homens se dirigem Visam o seu rosto Dependurado na face do mistério Nos terrores da guerra Na s faces sanguinárias De todos os opressores Nos medos das gentes Acabrunhadas Maltratadas Em nome de um tal dito progresso
Amo a Lua E as suas diversas caras As caras de todos os outros Escondidas noutras faces Ocultas Veladas Pesadas Por vezes, Serenas… Marcadas pelas cicatrizes da vida Que nada perdoa Amarga e doce Com espinhos Aveludadas pétalas Envolventes do nosso ser-aí Inquietante Medonho Ordinário e Extra-ordinário Descomunal Vil Monstruoso e pacificante…
Amo a Criatividade Originalidade De animais castradores…
A morte do outro Apraz-nos bem Engrandece o Ego Sempre em busca de auto-satisfação Mesmo que seja com a desgraça dos outros…
Quem disse que o homem Nasce naturalmente bom?
Quanta ilusão Quanta alucinação
Aparência, Aparência da aparência…
O brilho de Apolo Contra a lucidez dionisíaca O imenso A embriaguez O instinto O hiperbólico A grandiosidade Do “crescendo” De todo o acto de criação…
Não O artista não é um imitador A arte não é mimésis A arte dá-se no desflorar da verdade No brilho da sua adveniência Que é o Belo
Na plena libertação dos sentidos E do sentir…
È matéria e forma Talento e génio O dizível e o indizível O latente e o manifesto O in-habitual Uma outra mundividência Que nos aliena do quotidiano
Uma dádiva epifânica Que aí se mostra E sempre nos fala Do íntimo Das coisas-mesmas Sempre tão próximas…. Sempre tão distantes…
Amo a Arte A mais nobre invenção do espírito humano Que a si tudo chama, Clama… Canta… Eterniza Epifaniza
Na mostração de um tempo outro O artista dá-se Na sua identidade Iluminatória
Um ente hábil Que tudo vê Que tudo acolhe Recolhe… Escuta Com as orelhas da Terra Em permanente grito de alerta, Contra as investidas tecnológicas, Contra os desequilíbrios ecossistemáticos, Contra as malhas Artimanhas do progresso Que sempre avança Sem auto-crítica E racionalidade…
Isabel Rosete 26/05/2007 (17.ooh)
AMAMOS OS OUTROS...
Amamos os outros… Mas não amamos Os outros…
Amamo-nos a nós mesmos Centros de todos os Mundos De todos os Universos De todos os espaços siderais
O egocentrismo É a nossa Marca perpétua
A alteridade Está aí Vemo-la Escutamo-la Mas recusamo-nos A senti-la
Queremos o outro Mas não queremos o outro…
Queremo-nos a nós mesmos Em nós mesmos E não no outro
Fazemos sempre do outro O outro de nós
Giramos em círculo… Nem sempre perfeito Em torno do outro De nós mesmos
Um eterno retorno Ao Ego É a marcha De todos os nossos dias
Bifurcamo-nos nos caminhos dos outros Para nos encontramos A nós mesmos
A permanente busca da Identidade É traço do nosso destino Errante…
Isabel Rosete 6/08/07
AMO
Amo Não sei bem o que amo
Tenho medo de amar De voltar a sofrer De voltar a sonhar…
As ilusões crescem Quando se ama
Emerge A dor A insatisfação A insanidade e a insensatez A cólera… A presença ausente de um outro estado Sempre inacabado… Sempre adiado…
Caminhos que não conduzem A parte alguma Espreitam-nos no amor
Nos caminhos Que se bifurcam Perdemo-nos De nós Do outro…
Encontramos o desfiladeiro Assoma o vazio De uma alma deserta Dispersa Em con-fusão
Alienada pela adrenalina Que sobe Escorrega Desampara Inquieta…
O êxtase da alma É insuportável Em qualquer paixão
As mãos tremem Transpiram…
O coração Consome-se No seu ritmo Acelerado Incontrolável… Incontornável…
O estômago Já não se contém Com tanta ansiedade
Calafrios Pela coluna Sobem e descem
Tudo se move Tudo se transforma A um ritmo Desenfreado Imparável Desmedido…
Assim é o amor Força Que move e comove Despista Corrói…
Cego e surdo Táctil e visual Transporta-nos Para a realidade Do possível, Para o possível Do impossível Para o imaginável Do inimaginável, Para o sonho Do in-sonhável…
Para as correntes tumultuosas De um mar sem fim
Para o infinito Do próprio finito…
Para a alucinação Da sensatez…
Para a irrazoabilidade Do razoável…
Para o ilimitado De todos os limites, Conscientes Ou inconscientes…
Assim é o Amor, Uma força tremenda Gigantesca Arrebatadora Desmedida Enorme…
Dentro de um tempo redondo De um eterno retorno Do mesmo e do outro Com princípio e fim…
Isabel Rosete 26/05/20007
APOLO TOCA A SUA LIRA
Apolo toca a sua lira Faz brotar o sonho A ilusão A medida A aparência O brilho A forma….
Dionísio solta a embriaguez O delírio O êxtase O instinto A força selvagem das entranhas da Terra Num único e majestoso canto De celebração Sem o comércio das palavras Incapazes de dizer o indizível…
Resta o inefável O enigma O mistério, O ante-cantar Que as almas Dignifica…
Os sons Vão e vêm Se apossam De todo o ente carente À espera do sossego musical Da magia inebriante da música A arte das Musas Que tudo atinge Que tudo penetra Até os tenebrosos rochedos Do Cáucaso Onde permaneceu Prometeu Agrilhoado O prudente O previdente…
Aos homens O fogo doou Como sinal do seu amor Qual espécie errante Nasceu Bicéfala Capaz das maiores proezas E das maiores atrocidades…
Isabel Rosete 31/o5/ 20007 (7h.20m)
QUANTOS SÃO OS MISTÉRIOS DA ESCRITA...
Quantos são os mistérios da escrita, No seio da imensidão do nosso universo linguístico
As pausas, Os silêncios, E sempre as palavras Que nos comovem ou, Simplesmente, Nos fazem explodir
Sentimos o enigma do mundo, Na sua dispersão e re-união
Uma inquietante estranheza inicial Coloca-nos na face dos mistérios Insondáveis, Da Natureza E do Homem
Ficamos atónitos O silêncio regressa, Apesar de toda a prosologia
Iniciamos a próxima viagem, Mais uma, Em todo o nosso peregrinar, Tão genuíno como o canto dos pássaros que, A todo o instante, Nos fazem escutar Os seus hinos de celebração da Terra, Que sempre acolhe os nossos passos, Tão pesados quanto a massa do Mundo
Caminhamos para uma nova era, Embora nunca saibamos, Exactamente, Para onde correm os rios
Os rios do “obscuro” de Éfeso Que nos doou essa maravilhosa metáfora Da sucessiva transformação De todas as coisas, Sempre outras, Sempre outras…
Sempre as mesmas, Num eterno retorno, Marcado pelos traços Da esmagadora infinitude… Isabel Rosete 27/o2/2007 PENSAR ABRIL
PENSAR ABRIL
I
Viva o 25 de Abril. Viva Liberdade.
Viva o Zeca que nos fêz acordar de uma longa noite de trevas. Viva a voz audaz de um povo, até então, calado e adormecido. Viva a consciência dessa voz que nos iluminou o futuro.
O futuro? Que futuro? O da politica demagógica? O da falsa democracia?
Viva o futuro que já não se silencia. Viva o futuro da expressão de todas as cores: rosa, laranja, vermelho, verde, amarelo…
Viva o eco de pensamentos outros, Do diálogo ou da conversa fiada, Da trama das ideologias e da teoria da inexistência das ideologias.
Viva o amor e a paz, sempre adiadas, Mesmo depois do fim da guerra colonial, Dos homens mutilados, Dos corações de mulheres despedaçados; Das almas das crianças órfãs, Que assim nas ceram à luz da promessa de uma nova idade.
Viva o 25 de Abril! Viva a Liberdade!
II
Vinte e cinco anos passados. Restam-nos as memórias dos horrores da Guerra, De uma sociedade que, em nome dos cravos vermelhos, Um dia ousou gritar: Liberdade.
Liberdade: Essa palavra de ordem que fez cair um Regime eternamente enraizado, Que arrancou, com todas as armas, a tirania dos pretensos opressores.
Liberdade: O sinal do dizer aberto, Há muito ocultado, pelo véu da falsa ordem, Há muito camuflado, sobre a tríade, Deus, Pátria e Família;
O sinal do dizer aberto, Há muito velado, nos meandros da paupérrima cultura de um povo, Que convinha manter ignorante, analfabeto … Em nome da ausência do espírito crítico, Da mente desperta e do pensar astuto.
Vinte e cinco anos passados. E aqui estamos nós, quiçá em uníssono, A comemorar, Com milhares de cravos vermelhos, O grande acontecimento da Liberdade.
III
Volvidos 25 anos. Já não somos os mesmos.
Avistamo-nos com um outro rosto; O rosto da política da integração europeia; Da integração comunitária, Da moeda única, Da adaptação ideológica.
O rosto, quiçá, da desintegração cultural é apátrida. O rosto, cuja voz, já não sabe cantar o hino nacional. O rosto, cujos traços e as cores, Já não são, talvez, Os da nossa bandeira.
Volvidos vinte e cinco anos. Já não somos os mesmos.
E o que somos, então? Um povo errante, Ainda e sempre no resto da cauda do mundo, Que outrora conquistámos, No preciso momento em que o perdemos.
Erguemos o Convento de Mafra, Com o ouro vindo do Brasil;
Edificámos a Torre de Belém E o Monumento das Descobertas, À custa de longas e saudosas lágrimas, Dos que sempre partiram E dos que sempre ficaram.
Qual Velho do Restelo se ousa, ainda, erguer? Qual Adamastor, povoa, ainda, os nossos mares? Quais ondas alterosas se erguem, ainda, desse imenso mar?
Isabel Rosete 24.4.1999
SÓ QUERO DORMIR
Só quero dormir, Descansar os olhos Da vasta podridão do mundo, Um mundo que não é feito à minha medida
Paira o horror, O egoísmo, O des-humano, O tédio De uma existência animal, Instintiva E competitiva
O que vence não é o melhor, Mas o que parece ser mais apto Para aquela função, Forjada por compadrio
É a hipocrisia camuflada Que dita todas ad regras, As do ser e as do não-ser, As do parecer-ser, As do cheio e as do vazio
E, depois, falam de Ética! Mas que Ética, Se não estão mais presentes Os deveres para com o outro, E os deveres para consigo mesmo?
O falso Permanece nas relações humanas, Repletas de vãs e ilusórias aparências Aí plantadas, No domínio do sensorial, Do meramente visível
De olhos míopes, Somos incapazes de ver Para além do visível
De escutar os ultra-sons, De saborear, O amargo e o doce, Como instantes existenciais De um mesmo ser
De olhos e orelhas fechadas, Vagueamos tacteando, Procuramos todos os lugares, E nada nos satisfaz
Nada fixamos como seguro, A instabilidade corrói-nos
Mesmo assim, Ainda somos capazes de rir, Embora já não saibamos O que é um sorriso…
Caminhamos entre as multidões, Atónitos, Completamente perdidos, De nós e do Mundo
Somos nós e todos os outros E não somos nada Nem ninguém Ao mesmo tempo Permanecemos no glaciar da incógnita.
Isabel Rosete, 09/05/2007 (5h 50m) PENSAMOS A MORTE
Pensamos na morte… Em todos os momentos Da nossa existência Individual E colectiva Mesmo Que o façamos Inconscientemente…
Receamos a morte A única certeza absoluta De que dispomos… Inevitável… Irreversível…
A morte… Pois A morte… Esse outro lado da vida Que não está iluminado Voltado Virado Para nós…
O que tememos? Aquilo que ignoramos?
A morte é lenta Lenta Até chegar O derradeiro momento O final Do seu incontornável Aparecimento
A morte… O que é a morte? A separação da alma e do corpo? Uma passagem para um outro estado? A passagem para uma outra vida? A entrada num estado de graça Pleno Purificado? Um horror? Um Inverno? Um Nada?
A morte… Que a todos Um dia Bate à porta Sem aviso prévio Sem aviso de recepção…
Não somos Sócrates… Não abraçamos a Morte Como um bem supremo
A morte do outro De nós mesmos Sempre esperada… Sempre adiada… Sempre presente… Sempre ausente…
Uma figura do destino Implacável Que conduz todas as coisas Ao seu próprio fim…
Um estado outro… Que nem ousamos imaginar…
Apavora… Atormenta…
A morte… Sempre está aí Numa presença Ausente Que não queremos presentificar
Isabel Rosete 16/06/07 (6.50h)
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