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10 พฤษภาคม Os tons, por Isabel RoseteOs tons, Os sons…
Enobrecem a beleza da Criação, A harmonia da Natureza, No seu eterno Estado de graça.
No reino dos vivos, Movem Os corações adormecidos. No reino dos mortos, Fazem renascer As almas amortecidas.
Sossegam os espíritos Atormentados, Harmonizam os corações Despedaçados, Pela vil miséria Do sofrimento inacabado.
Embalam os amores. Acobertam os seus estares. Estimulam a excitação dos corpos, Embriagados, Pelo intenso desejo Da união visceral.
Isabel Rosete 16/01/08 9/10/08 05 มีนาคม A Fonte dá Fé, por Isabel RoseteA fonte da Fé Secou…
Cristo Já não é mais milagreiro…
Violência Crime…
Desacato Insanidade…
Enchem Preenchem…
A panóplia Do Mundo em que vivemos...
Isabel Rosete 14/07/07 23/01/08 A Bailarina, por Isabel RoseteA Bailarina (A Sandra Machado)
Eis a viva expressão De quem agarra a Vida Por todos os fios possíveis De um imaginário Sempre reprodutivo…
Os seus acenos Suaves E determinados Sobem E descem…
Os seus paços Leves E silenciosos Ascendem E descendem
Erguem-se Elevam-se Multiplicam-se Em todas as direcções…
Indicam-nos o infinito Que nos apraz bem
Suspendem-nos a alma Transportam-nos para outros lugares Nunca imaginados…
São múltiplos os caminhos Pela bailarina percorridos…
Entre outros estares Entre outros rostos Entre todos os rostos Que nela se presentificam…
Os caminhos dos gestos Das palavras Dos sons Que a envolvem Num círculo Quase perfeito…
Os caminhos das notas Que a partitura preenchem Tornam-se audíveis Em todos as melodias Pelo seu corpo contornadas…
Há sempre um som Que a embala Que a faz vibrar Estremecer Ou sonhar…
Por entre as linhas Nem sempre unidas Nem sempre definidas Dos trilhos delgados Do seu balancear…
O chamamento do som Assoma Que grande promessa!
O som puro E cristalino Da música
Semi-oculto Semi-descoberto
Envolve O corpo E a alma Da bailarina Ainda capaz de o escutar…
A escuta Naturalmente a escuta…
Qual motor originário do mundo Que faz mover Os seus delicados contornos…
Os seus movimentos Mesmo os mais simples Manifestam a pureza De uma alma A singeleza de um corpo A nobreza de um carácter Em momentos De perpétua comunhão…
Qual corpo? Qual alma?
Os da Bailarina Fundidos Se dão A outros corpos A outras almas Nunca em vão…
A bailarina Está aí
Dança Balança Rodopia Ao tinir De todos os acordes…
Faz renascer Um ser outro Sempre renovado…
Algures Camuflado No seio Da sua própria interioridade…
Isabel Rosete (Escrito para Sandra Machado, a bailarina) 1999 17/02/08 A Alma Humana, por Isabel RoseteA Alma humana Destituiu-se de si….
Paira Na bruma Das tardes cinzentas Sem tranquilidade Sem paz…
Percorre Os infinitos caminhos do Mundo As estradas desertas Sem rumo determinado…
Procura o Paraíso perdido Em todos os corpos outros Sem saber Qual a sua linhagem…
Ofusca-se Com os raios do Sol…
Vagueia Pelas ondas imensas Do mar revoltoso Companheiro dos ventos do Norte…
Tudo arrastam Movem Deslocam…
No redemoinho universal Da Vida Que rodopia Em todos os espaços Por todos os lugares…
Isabel Rosete 06/07/07 22/02/08 A ALMA, por Isabel Rosete
Alma Sopro da Vida Não cabes mais Dentro dos teus limites
Transcendes-te Rumo ao encontro De todos os desencontros
Ao impossível De todos os possíveis…
Evades-te Nas dunas brancas Das praias desertas
Respiras Pura A virgindade da Natureza
Escutas Em silêncio Os sons primordiais
Das profundezas Do mar Salgado
Ora verde Ora azul Ora vermelho
Manchado Pelo sangue dos corpos Derramados
Quantas batalhas Quantas guerras
Nas águas cristalinas Foram sepultadas…
Alma Co-afim com o mar
Em revolta Te moves
Em calmaria Descobres A eterna beleza Das coisas simples
Aí estás No correr Das águas
Ao turbilhão do mundo Nem sempre escapas…
Isabel Rosete 06/07/07 26/01/08 29 ธันวาคม "ESPÍRITO DO NATAL", por Isabel Rosete
Para além de todas as demagogias, Para além do “politicamente correcto”, Para além de todas as hipocrisias…
Celebremos, finalmente, o Espírito do Natal, Em todos os momentos, Desta nossa existência tão efémera.
Natal é Fraternidade, Solidariedade, Paz, Amor e Alegria na Terra E nos Corações dos Homens;
Natal é a apologia do Humano, Em toda a sua essência De Bondade e de Verdade;
Natal é o enaltecimento de um Mundo, Onde não haja mais lugar para a Crueldade, Para a Violência ou para a Agressividade;
Natal é a reunião dos Corações sensíveis Que lutam, desesperadamente, pela União dos Povos E das Nações;
Natal é a rejeição da Discriminação, Dos horrores da Guerra, Da mutilação dos Corpos e das Almas;
Natal é a consciência da Miséria Humana O compromisso da sua superação, O enaltecimento da Justiça e de todas as Uniões;
Natal é o triunfo do Bem, A glória de todos os Renascimentos, A comemoração da Dignidade Humana;
Natal é a benção do sempre Novo, O louvor de todo o acto de Criação, De Renovação e de Regeneração…
Sejamos Natal. Hoje, Amanhã, Para sempre…
Isabel Rosete 20/12/07
10 ตุลาคม ANTES QUE O SOL DESPONTE
Antes que o Sol desponte Quero brilhar…
Fugir para um outro lado do Mundo Aquele que me é sempre oculto…
Ver outros rostos Outras naturezas Outras cores Outras gentes Outros estares Outros brilhos Outras estrelas…
Planetas… Galáxias…
O infinito do próprio Universo Envolto naquela cápsula Que quero abrir…
O fechado atrofia-me os membros Congela o meu cérebro Sempre em pleno estão de agitação…
Todos os vulcões aí se concentram Todas as lavas daí escorrem E os caminhos não se bifurcam…
Uma saudade do infinito assoma Como se o mundo acabasse Num só dia…
O derradeiro dia De todos os dias do resto da minha vida…
Perpetuar a vida… A ilusão de todo o ser humano Sempre desesperado…
Porque não é Deus Nem os Deuses Nem o destino…
Isabel Rosete 06/07/07 " A NATUREZA GOSTA DE SE ESCONDER", por Isabel Rosete
A Natureza gosta de se esconder… E Nós Humanos De a desventrar Até ao infinito De todos os seus redutos…
A mão que semeia É a mão que destrói Que colhe e recolhe O produto De cada desvanecer
Isabel Rosete 06/08/07 15 กันยายน VAGUEANDO...
Vagueando…
Pensar, morrer, amar, odiar, ou simplesmente vacilar. São estados existenciais de todos os humanos mergulhados num passado que, sempre, corrói.
Somos, eternamente, seres do passado e do presente. Meros instantes, momentos de cólera, de paixão e de compaixão. Seres mundanos e intra-mundanos que se excedem nos limites indeterminados do Universo. Nele nos movemos como pequenos pontos repletos de grandes desejos, de intensas ambições de marés imensas de ilusão, de utopias em que cremos, como se de realidades autênticas se tratassem.
Somos Prozac. Adrenalina pura. Sempre prontos a explodir.
Passeamos, calmante, pelos jardins das nossas cidades, esses jardins de pedra e de caminhos por onde vagueia o nosso imaginário, algures perdido… Mesmo transbordando de originalidade, somos tão comuns, tão mesquinhos, como todos os outros que se nos apresentam como inferiores e, até mesmo, indignos das nossas palavras, dos nossos gestos, por mais insignificantes que sejam. E aí estamos nós. Homens e mulheres, no gigantesco teatro do Mundo, cujo palco é a Vida, a nossa vida, marcada por uma azafama constante, não se sabendo bem em nome de quê, nem para quê… Habituámo-nos a viver em multidão. Perdemos a individualidade. Sabemos que já não vale a pena ser Narciso. Eco morreu longe. A sua voz de alerta não paira mais em derredor dos nossos ouvidos.
Somos todos os outros. Menos nós mesmos. Fixamos o infinito. E perdemo-nos dos outros e nós mesmos. Balbuciamos algumas palavras que, apenas, a nós, nos dizem respeito. Por vezes, também gritamos, bem alto, para que o Mundo inteiro nos ouça. Precisamos de extrapolar todo o sofrimento vivido e por viver. E aí somos o passado. Sim. O passado, mas lançados num futuro que vemos em sonho, alucinados, inquietos, como se tivéssemos a obrigação de controlar tudo. E como se o Tudo fosse ainda pouco. Como se declarássemos a morte ao Acaso, ao Fado, ao Destino.
Somos tão estranhos e tão complexos que mergulhamos, sempre atónitos, na tragédia que, a cada passo, criamos como traço central da nossa própria existência. Marcamos o passo e o compasso do nosso caminhar, mas a um ritmo tão irregular que nos perdemos no contra-tempo.
Somos o tabuleiro do jogo. Outras vezes as peças que sobre ele se deslocam, segundo a vontade dos jogadores, os outros de nós mesmos. E ainda por cima, escravos de tudo isto, como se o papel e a caneta tivessem a estrita e peremptória obrigação de serem os nossos fiéis confessores.
Somos tão estúpidos, tão bestiais… que fingimos não ver o que realmente vemos. Esse célebre pleonasmo, do “visto, claramente visto”, já não faz parte dos tramites da nossa consciência de animais com cio, de tarântulas voadoras, ou de qualquer espécie de aberração que deixámos, pelas nossas próprias mãos, que a Natureza, um dia, criasse. Iludimo-nos e pensamos que somos donos de tudo. Quando, afinal, nem sobre nós mesmos temos algum domínio digno de consideração.
Somos incapazes de perceber o estado da nossa própria humanidade, se é que este vocábulo, tantas vezes repetido, ainda tem algum sentido, algum conteúdo, explícito ou implícito, que nos possa falar. No entanto, continuamos, mesmo que nos vejamos despidos de tudo, desses traços de uma tal humanidade que há muito perdemos de vista, ou que a nossa vista já não alcança…
Meu Deus…! Como a nossa miopia cresceu nestas últimas décadas…! O “Homo Sapiens, Sapiens”, assim nos chamam, é, nos tempos modernos, o “Homo miupus”, aquele que não é capaz de ver para além do que a sua vista torna simplesmente visível na proximidade dos objectos.
Somos, amiúde, puros espectadores passivos, entes sem convicção de identidade própria e determinada.
Somo o que somos. Mas não sabemos o que somos…
Chegamos mesmo ao estado de objecto, entre outros objectos. Nada mais. Passamos por elementos de cálculo, de factura, de recibo, tão descartáveis como quaisquer outros materiais informes, peças de uso quotidiano que, marginalmente, vão excedendo e ascendendo…
Somos estádios de passagem; pequenos detritos do lixo cósmico; pedaços de meteoritos que se estilhaçaram; folhas de árvores caducas, a todo o momento espezinhadas nas ruas, nas praças, nas calçadas perpetuadas pelos passos das gentes…
Mas que tédio…! Que cansaço…! Que atrocidade esta coisa de ser humano entre milhões de ditos e re-ditos seres humanos.
Homem: transcende-te, de uma vez por todas. Passa ao outro de ti mesmo, esse que usa o verdadeiro rosto escondido por detrás do opaco véu do teu inútil viso. Ou, então, se te queres matar, mata-te de uma vez, depois de te esqueceres que és um existente envolto e impregnado em dilemas que te fazem rodopiar como um pião.
Homem: pára, escuta e cresce... Ouve os apelos do Mundo e da Terra que, mesmo martirizados por ti próprio, ainda alcançam o seu grito de alerta, em sinal de um advindo acolhimento, re-colhimento...
Homem: parte e rasga todos os horizontes, reais e possíveis. Só assim quebrarás com o passado, e encontrarás as réstias de um radioso dia…os traços de um tempo outro, ou de um outro tempo…de uma nova idade…de um novo amanhecer…de um outro re-nascer…
Isabel Rosete 24/12/2001
SOMOS AMANTES
Somos amantes Inter-seccionados
Esquecemos o Mundo
Fechamo-nos Nas nossas próprias conchas…
Esquecemos os homens
Queremos ser só nós Nada mais importa…
O Amor preenche-nos Por completo
Alimenta Os nossos corpos Ardentes…
As nossas almas Inundadas Da mais intensa alucinação…
Temo-nos um ao outro E isso basta…
É mais do que tudo Está para além do Nada…
Tornamo-nos esféricos Auto-suficientes…
Esquecemos O próprio Universo
Somos o mesmo corpo A mesma alma O mesmo sangue O mesmo plasma A mesma pele…
Somos um só organismo Que se auto-preenche Sempre prenhe de fertilidade…
Esquecemos a vida Cá fora Repleta de futilidades….
Esquecemos a morte Somos eternos…
Isabel Rosete (06/08/07)
SINTO A HUMANIDADE
Sinto a Humanidade Penso nos Homens No mundo que construíram Em pleno estado de combustão
Os meus horizontes auditivos alargam-se Escuto o pulsar inquietante De todos os corações aflitos Amargurados Despedaçados…
Já não ousam sonhar Já não ousam ter esperança Mesmo que Numa aura longínqua Sintam Pressintam A vizinhança Da salvação
Violência Crime Desrespeito Pelos direitos fundamentais Da Pessoa Humana Enchem a panóplia Do mundo em que vivemos...
Isabel Rosete (14/07/07) PENSAR A HUMANIDADE
Pensar a Humanidade…
É descortinar o abismo do Ser
O inquietante momento originário
Do Tudo e do Nada
Pensar a Humanidade…
É presentificar
A metamorfose
A mudança
As múltiplas faces
De entes camalionicos
De entes que vagueiam
Em derredor
Do seu próprio círculo
Descentrado
Do ponto-chave
Da gravitação
Universal…
Pensar a humanidade…
É o des-velar de caminhos cruzados
E entre-cruzados…
De encontros
E desencontros…
Do determinismo
Da liberdade…
Do livre-arbítrio
Da vontade…
De uma racionalidade
Que apesar
De todos as calamidades
Ainda se considera imaculada…
Nascemos com o rótulo
De “animais racionais”…
Mas o que diremos
Dessa “racionalidade”…?
Perante o vandalismo
O des-equilíbrio
O caos…
A inversão dos valores
A indignidade
Do ser Pessoa
A des-humanidade…
Isabel Rosete
(14/07/07 - 5.00h)
NÃO SEI VIVER
Não sei viver Sem sonhar Sem o prazer Imenso De uma terrível Ou doce ilusão
Sair Evadir-me… É uma necessidade Cada vez mais Imperiosa
Preciso viver outros mundos Outros espaços Outras gentes Outras realidades Outros universos Outros planetas Outros…
Como se a realidade Presente Esta em que vivo Se esgotasse Num instante
Ficasse vazia Sem essência, Sem nada
O Mundo é Tão grande E tão pequeno Ao mesmo tempo…
Esmaga-me Transporta-me Para outros lugares Reais Ou imaginários
Preenche-me E torna-me vazia Num paradoxo infinito De um jogo de forças contrárias Em atracção E exclusão Permanentes…
Tudo morre Tudo nasce Tudo se transforma
Nada permanece… Nada permanece…
A perpétua mudança Instaura-se Num equilíbrio indelével…
E o Ser está aí Permanecente Em cada alvorecer Em cada desfloramento Ocultando-se De todas as coisas… Desvelando-se Em todas as coisas…
Isabel Rosete 06/08/07
EIS A VIVA EXPRESSÃO
Eis a viva expressão Por finos traços De quem agarra a vida Por todos os fios Possíveis De um imaginário Sempre reprodutivo
Quais traços Que descem E ascendem Em múltiplas direcções
Indicam o infinito Que nos apraz bem
São múltiplos os caminhos Não todos os caminhos
Mas os caminhos das palavras Das notas Que preenchem a partitura Que torna presente Todos os sons
Há sempre um som que nos embala Que nos faz vibrar Estremecer ou sonhar Por entre as linhas Nem sempre unidas Dos finos traços Que delineiam os caminhos
O chamamento do som Emerge Que grande promessa…
O som estridente Cristalino do sino Semi-oculto Semi-descoberto Que envolve o corpo e a alma De quem ainda sabe escutar
A escuta Qual motor do mundo Que faz mover o pequeno corpo da bailarina Cujos gestos Mesmo os mais simples Manifestam a pureza De uma alma A nobreza de um carácter Em momentos De perpétua comunhão
Esse corpo e essa alma Que fundidos Se dão a outros corpos E a outras almas Nunca em vão…
Dançam ao som De todos os acordes Fazedores do renascer Em cada instante De um Ser outro De um Ser Sempre renovado Algures Camuflado No seio Da nossa própria interioridade…
Isabel Rosete (1999)
UM OUTRO...
Um outro…
Sempre em ânsia pela hora Em que chegará essa criatura Que tanto amo.
Criatura? Sim. Porque não?
Todo o ser humano é uma criatura, Quiçá, Uma bênção de Deus, Uma dádiva da Natureza…
Trabalho e penso no seu rosto, A cada instante. Nesse jeito calmo de ser, Terno, Com um cheiro de malícia E extrema sensualidade Inconfundível Que percorre todo o seu corpo E a sua alma.
Uma alma que vive intensamente Cada momento Da sua existência individual e colectiva, Como se cada momento fosse O último da sua vida…
Respira e expira a própria vida; Sempre a expira pelas largas narinas Desse rechonchudo nariz, Que diz, Ser a única peça que não se harmoniza Com o seu rosto moreno, Moreno – bombom…
Aí estão apensos uns profundos olhos negros, Que dizem ver sempre mais longe, Até mesmo nos olhos dos outros, Quando os observa Na mais profunda intensidade; Sem pestanejar, Tão fixamente, Como as estrelas que, No céu estrelado, Mantêm o seu brilho. Um brilho denso… quase eterno…
São pérolas negras Que fustigam o meu olhar, Que me trespassam Na minha própria visceralidade, Tal como a penetração Do seu membro erecto Que encaixa e rodopia no fundo da minha intimidade.
Há sempre uma certa magia Em todos os seus actos, Em todos os seus gestos…
Na sua voz grave, Ao mesmo tempo, Doce e terna, De sons gerúndios, Como é típico de todo o ser da América do Sul. Essa magia apaixona, Fascina, Atrai, Como um hímen a limalha de ferro.
De repente, Penetra-nos, Quase sem darmos por isso.
Envolve-nos num misto de sedução, De prazer e de felicidade, Que não é momentânea…
Perpetua-se em cada sinal, Em cada movimento De um corpo deambulante, Exemplificante da singularidade Da alma que o habita;
Tão livre como a da ave que, A qualquer momento, Sabe que pode abandonar a sua gaiola, Mas não a sua prisão.
Vagueara, Quiçá, sem destino, Pelas múltiplas paragens da vida E de todos os destinos humanos.
A atracão que exerce É estranhamente intensa, Torna-se quase inexplicável, Indizível… Inefável… Pertence ao domínio inviolável do SENTIR, Excedendo todo o campo semântico, Por mais Intenso e rico que ele seja.
Tem um toque diferente, Como, Se às vezes, Pertencesse a um outro mundo, A um outro espaço, Que extravasa a vulgaridade De todas as possíveis vivências quotidianas.
Mantém tudo no seu preciso lugar, Como se em si residisse, Irremediavelmente, Um “lugar natural”, Um topos para cada coisa. Todo o desvio é assumido como uma violação inevitável.
A sua presença é tão envolvente, Tão cheia, Tão redonda, Que nada pode deixar de fora.
E aí permanece Como a aranha na sua própria teia.
Todos os seus movimentos Rodopiam nas malhas dessa teia gigantesca, Abrangedora de tudo o que o rodeia, Até mesmo de tudo aquilo De que não tem consciência imediata.
O seu estar Presentifica o próprio Universo; Como se só existíssemos os dois; Como se isso A que chamamos realidade Entrasse em nós, Totalmente.
Nada, Absolutamente nada Pode estar fora do nosso alcance.
Emerge a sensação de absoluto, De Totalidade, Como se nós e Mundo Fossemos uma e a mesma coisa.
Todas as dualidades desaparecem. A união das partes é, De tal modo, Plena, Que a divisibilidade não tem lugar, Em nenhum momento.
Em nós, Permanece o Cheio, O Aberto, Em perfeita comunhão.
E a vida, Apesar de todas as adversidades, Torna-se tão simples, Tão singela, Tão leve, Tão radiosa, Tão apetecível, Que o próprio dormir Não é efémero, Mas um eterno momento de serenidade, De paz, Tão sólida e inevitável, Que nada parece poder deixar de alcançar.
Sempre que esses dois seres se unem, Até ao mais íntimo de si mesmos, O mundo, Neles também penetra, Na forma da mais pura e bela gratuitidade, Que alguma vez Se possa sentir ou imaginar.
A “paz perpétua” assoma, Mesmo nos momentos Onde se gera a agonia, A ansiedade, A angústia, Quando extravasa, Pelo álcool, O néctar dos deuses, Os limites da dita racionalidade, Da dita sobriedade...
São esses os momentos de excesso, Da pura embriaguez catártica.
Os meandros, As fronteiras, Do seu pensamento, Esbatem-se Até às lágrimas.
As ideias, Os sentimentos E pressentimentos, Fluem, Transbordam, Como um rio, Do seu próprio leito.
Há, Nele, Um excesso de caudal Que só a embriaguez despoleta.
Depois, Volta ao silêncio; Ao silêncio da voz. Mas nunca ao silêncio do pensar.
São os momentosos da introversão que, A catarse da embriaguez, Voltará, Depois, A fazer brilhar.
Mas com tanto sofrimento, Com tanta angústia, Que o mundo parece desabar.
A queda é, assaz, efémera, E logo do caos se ergue, De novo, A ordem, Quando diz: “acordar para a realidade”, Numa necessidade De dela sempre se evadir…
Este é o comportamento típico De todo o ser sensível, Plenamente consciente Das atrocidades da Existência humana, Em pleno E permanente sobressalto.
Urge esquecer tudo, Entrar numa outra ordem, Num outro espaço, Trazido por todos os alucinogénios.
E, nem por isso, A ressaca, É assim tão terrível…
A lucidez parece nunca ser Totalmente perdida. É apenas desviada Para outras paragens, Que a imaginação Requerer percorrer.
O mundo e os homens Obrigam-nos a esse esquecimento, Em prol, Mesmo, Da mais efémera ilusão de serenidade.
Nestes momentos, Torna-se um outro de si mesmo. O seu corpo Lânguido, Derrubado, Perde toda a sua natural sensualidade magistral.
Vacila entre o Ser e o Não-ser, Entre o tudo e o nada, Como se quisesse penetrar, De um modo hiperbólico, Nas entranhas de tudo,
Como se fosse uma cobra Que entra pelo meio do silvado E que, Depois de estarrecida, Aí permanece exposta, Desarmada, Porque exausta, Depois de ter comido a sua presa.
Não tem mais forças para se erguer. Quebrou todos os escudos, Tornou-se completamente indefeso, Confundindo-se com o próprio chão, Onde caiu E amoleceu instantaneamente. Sem mais…
Aí permanece estendido, Não com os olhos penetrantes, Fulminantes, Mas amortecidos, Semicerrados, Pelo excesso que neles assoma, Oriundo da aura que espelham.
A alma, Também ela derretida, Despedaçada, Sempre à espera de um novo reencontro consigo mesma, De mais um nascimento, Entre tantos outros passados E entre tantos outros que possivelmente Se adivinham…
Isabel Rosete 02/02/2001
AMAR É O DESESPERO DE UM CORAÇÃO CARENTE
Amar é o desespero de um coração carente À procura da outra metade que o complete
Somos incapazes de nos completar a nós mesmos Precisamos sempre de um outro Qualquer um outro… Procuramos o outro de nós…
Essa terrível e eterna dependência do outro Que não conseguimos Encontrar em nós …
Que desgraça A do coração humano, Sempre em falta, Irremediavelmente só e despedaçado
Lamenta, Lamenta-se…
Não sabe estar só, Dialogar consigo mesmo
Encontra, No seu âmago, O vazio Do seu próprio preenchimento
Amar, É coisa dos homens Sem dúvida Desses seres solitários, Incapazes de percepcionar A solidão como outra forma de amor: O amar-se a si mesmo…
E isso não basta, A estas criaturas errantes?
Não Não basta… Nada basta…
Há sempre um mais e um depois, Que aflora Em todos os pensamentos, Até mesmo, Nos mais recônditos, Inconscientes….
Isabel Rosete 09/05/20007 (6.00h)
ANGEOLOGIAS EM PROSA POÉTICA
ANGEOLOGIAS EM PROSA POÉTICA
Entrar no universo dos Anjos.
Uma metafísica angeológica se nos impõe.
Mas também uma ontologia uma diferença ontológica, uma escala de gradação de entes, de criaturas, na sua irredutibilidade ontológica, ou “enteológica”, uma diferenciação topológica e cronológica, no traço invisível da dualidade cosmológica.
Dois mundos completamente distintos se presentificam, se interpenetram, pelo mais ténue sopro que choca com o rosto dos homens, um sopro oriundo de um a presença incógnita, que se sente e presente, mas que não se vislumbra mais…
Pela mão que toca no ombro, num momento de angústia ou de desespero existencial, para acalmar, apaziguar… ou para trazer a esperança da vinda de um mundo mais radioso, isento de vazio e de solidão.
O toque de uma mão também não vista, mas incomensuravelmente sentida, por um encéfalo, fonte de inteligência, de recordação e de afecto, que comunica monadicamente com outros encéfalos, no seio da multidão, da massa humana indiferente e indiferenciada, do caótico trânsito da cidade minada por projectos ideias, onde ainda se medita, em escassos momentos, sobre o sentido da vida e da morte, do ser, do não-ser e do nada… em busca de um caminho que entrelaça o mesmo “jardim de caminhos que se bifurcam”, entre uma visão a cores e outras a preto e branco.
Sim, “os caminhos que se bifurcam”. Qual universo borgesiano, onde, a cada passo, se ergue um labirinto, no qual todos os homens se perdem…
Um labirinto perdido, infinito, um labirinto de labirintos. O labirinto do Minotauro…
Um sinuoso labirinto crescente, abarca o passado e o futuro, envolvente, ao mesmo tempo que indeterminado e proporcionador de um conhecimento abstracto do mundo.
De longe se vislumbram os restos de tarde, entre os caminhos que se bifurcam, entre as várzeas indistintas…
Paira uma música, ao mesmo tempo aguda, grave e inquietantemente suave, agressiva e embaladora, mágica e embriagante.
Silábica se aproxima a melodia, ao mesmo tempo que afasta, no vaivém do vento que as folhas faz mover. Encaminha os bandos de pássaros que o céu povoam, como nuvens escuras, anunciantes de tempestades...
E aí se encontram os Anjos, no alto, eternos observadores dos homens; mensageiros, comissionários das palavras, anunciadores, intermediários, companheiros, guardas e sombras dos homens.
De assas brancas ou negras, neste tempo de indigência, são entes alados, vagueantes num espaço atópico, num tempo intemporal, num tempo redondo, num espaço e num tempo outro, fora do alcance dos homens.
Atentamente viajam, vigiam e escutam, penetram na interioridade dos homens, eles que são “Nada”, e estes “Tudo”...
É o mundo dos Anjos, eternamente invisíveis, sempre “tão longe e tão perto”, “nas asas do desejo”, entre o mundo dos homens, da efemeridade do visível, das coisas mutantes, da permanente metamorfose, da qual não temos fuga possível, até que a morte nos separe, até que vejamos esse outro lado da vida que não está iluminado, virado para nós…
Assim nos informou Rilke, o poeta do Anjo belo e terrível, consagrado islamicamente, nessa vida confinada à celebração da Vida, à morte e aos amantes, aos terrestres e aos celestes, ao Aberto, à Terra silente, que grita desesperadamente perante o ruído ensurdecedor das máquinas…
Isabel Rosete 2 de Fevereiro de 2005 PENSAR
Pensar
Pensar é ver as estrelas, Que um dia, Desabaram sobre o tecto do Mundo.
Pensar é ler o além, tão esperado, Como desesperante, Face ao ministério do mundo, De que apenas temos sinais, Signos e vestígios de signos.
Vem o martelar da água salgada nas rochas, Que habitam as praias desertas; Essas, onde passam, De sobrevoo, As gaivotas E, por vezes, Os homens Em busca da serenidade Outrora perdida.
Deambulam pelas areias movediças, Autênticos palcos do mundo Onde constroem e destroem As suas próprias moradas.
Uma linguagem incompreensível Vocifera das suas próprias bocas, Com o sabor amargo Da vida não vivida Em terreno firme.
A vida, O trampolim, A barra olímpica Onde caminhamos em perplexos des-equilíbrios, Ao sabor do vento Que bole nossas pernas trôpegas, Como se mal tivéssemos começado a andar.
Nada se fixa no e sobre o homem. E se o mundo é composto de mudança, A metamorfose é o traço do viso desta humanidade, Que a ritmos triclitantes, Cresce dentro desse ser cheio de vazio que somos, Cada um de nós, Um dia rotulados de “animais racionais”, Pretensamente, Supostamente, Pensantes, Inteligentes, Portadores de um raciocínio lógico-discursivo, Hipoteticamente emersos do melhor dos mundos possíveis,
E, afinal, O que queremos de nós, Seres errantes?
E o que queremos do Mundo Que em torno de nós Se move A uma velocidade incomensurável?
Ou desfazemos essa aura de entes Onde fomos depositados, Um dia, Sem que o nosso querer Fosse chamado a opinar Sobre esse modo de existência de caos e de ordem Que, afinal, nos caracteriza, De que somos co-autores e co-produtos Voluntária ou involuntariamente?
Perdemos o rumo, O norte. Mas encontrámos o fio de Ariana Que comanda o nosso Destino. Destino? Mas que Destino? O de sermos uma humanidade emaranhada Nos nós da sua própria teia?
Ariana e a aranha Estão sobre a caução de um certo e mesmo invólucro, Tão opaco, como transparente, Tão sublime, quanto miserável.
E, apesar disso, Ainda podemos falar Da harmonia heracliteana dos contrários? Do caos criativo que, Quiçá, Gera a nossa própria ordem desordenada?
Definitivamente, Somos viandantes. Passageiros de múltiplas paragens, Sem lugar certo e determinado, Sem pátria, sem habitação, sem morada… Permanecentes metamorfoses de espaços de combustão, Do Tempo finitamente infinito, Que também nos domina, Enquanto temos a vã pretensão De o controlar pela minuciosa máquina Que o nosso pulso suporta, Sempre voltada Para os nossos olhos ansiosos De um tempo outro, Onde qualquer ideal possa ser consumado, De preferência, “ad eternum”.
Que ilusão, somos nós, Homens! Entes de palpites inconstantes No pulsar do mundo Que nunca adormece. Desse mundo inquieto, Por vezes, Turbulento, Que gira sobre nós próprios, Que nos faz mover Dentro e fora das nossas órbitas, No espaço debilitado da nossa condição De estritos seres de passagem, Em digressão, Sabe-se lá para onde…
Os pratos da balança Já não se equilibram mais. A medida certa acabou. A incerteza, A dúvida, É o paradeiro do nosso próprio caminhar Em terreno Irremediavelmente movediço, Ao mesmo tempo que estanque… Sempre nos prende as pernas, Sempre trava o nosso caminhar.
Que ilusão, a dos homens, Em querem ser senhores, Dominadores do universo, Físico e humano, Que escassamente habitam.
E o Mundo está aí. Permanece imutável, Na sua essência, Apesar de todas as investidas de uma humanidade, Sempre solitária Que acompanha o furor Das multidões em revolta, Contra o imposto pelas Instituições, Pela Natureza;
De uma humanidade que, Um dia, Alimentou a vã ilusão de Tudo manipular, De ser a gestora de um Universo que, Amiúde, Gosta de se esconder, Na sua mutabilidade camaliónica.
Isabel Rosete 19.01.2001
ODEIO A HIPOCRISIA
Odeio A hipocrisia A solidão das multidões Que crescem Em espaços vazios Dispersos Indiferentes…
O outro Ali apostado Atónito Num mundo que não é mais só seu
As viagens são múltiplas Os caminhos diversos Os do Ser e os do não-Ser Os do Nada…
A metamorfose A mudança Comandam o mundo
O Ser não permanece mais Na sua imutabilidade originária
As sombras As aparências Ofuscam o olhar Dos que querem ver A essência O miolo De um pão bolorento…
A identidade perde-se Somos o mesmo rebanho
Corremos na mesma direcção E já nada identificamos com precisão
A amalgama do mundo Corre nas nossas veias
Do caos faz-se a ordem Do império da Razão Transmutamo-nos Para o reino dos sentidos Holisticamente conjugados Numa teia emaranhada De sendas e vendas Num regresso à unidade primordial
Odeio O “politicamente correcto” A ausência de Ética… O falso puritanismo Dos não puritanos A pretensa intelectualização Dos pseudo-intelectuais Os rótulos existenciais Dos que ignoram a diferença Dos que lutam em prol da diversidade
Odeio Os que vivem da vulgaridade De um estar que não é o seu Os que ultrapassam As barreiras do humanismo
Odeio Os discursos retóricos As palavras que iludem a alma E que nada dizem
Esses discursos demagógicos Que ludibriam a Razão Que enternece os inocentes Com falsas promessa Sempre adiadas… Nunca cumpridas…
Odeio A guerra As matanças desenferadas Dos povos desprevenidos Dos que vivem em paz perpétua E não ficaram Para escrever outros opúsculos
Odeio O Mundo na sua prepotência Os estados totalitários Tirânicos Opressores dos oprimidos
Odeio A má fé Os sorrisos abertos Dissimulados Que aniquilam os outros
Odeio As gentes Que não sabem distinguir A realidade da aparência A sombra do arquétipo A cópia do modelo
As mentes transviadas, Eternamente transviadas Em pleno caos intelectual Em permanente desvairo Mergulhadas num espaço quadrado Onde todas as ideias Esbarram em todos os vértices…
Odeio As pretensas acções morais De todos os Narcisos Esquecidos dos deveres para com o outro
Odeio A Humanidade Pela ausência de solidariedade Para com as causas mais nobres, As menos vísseis Pela propaganda enganosa Que fez da caridade Um verdadeiro momento de glória…
Odeio… Odeio… Odeio tanta coisa… Neste Mundo que age Inconsciente Em nome de vã glória…
È tudo tão descartável Que os Homens já não sabem mais Qual o seu topos originário Há muito perdido No Labirinto do Minotauro Sem nenhum fio de Ariana Por perto…
Isabel Rosete
9/6/2007 (5.50h)
NÃO POSSO PENSAR
Não posso pensar No rosto dos homens Sem ver o interior Da sua Alma…
Cada acto É um sinal Visível Desse interior…
Em fragmentação Em sobressalto Em agonia Em prazer Em comoção…
Tudo se passa Como se alguma coisa Lhe faltasse
Um sorriso Por vezes Doce Por vezes Pardacento…
A Alma humana Destituiu-se de si….
Paira Na bruma Das tardes cinzentas Sem paz…
Percorre Os infinitos caminhos do Mundo…
Procura o Paraíso Em todos os corpos outros Sem saber Qual a sua linhagem…
Ofusca-se com os raios do Sol Vagueia pelas ondas do mar Revoltoso…
Parceiro dos ventos do Norte Que consigo Tudo arrastam…
A Alma Esse sopro de Vida Não cabe mais Dentro dos seus próprios limites…
Transcende-se Rumo ao encontro De todos os desencontros Ao impossível de todos os possíveis…
Evada-se nas densas dunas Das praias desertas Onde se respira A virgindade da Natureza…
Onde se escutam Os sons primeiros Vindos das profundezas Do mar Salgado…
Ora verde Ora azul Ora vermelho Pelo sangue dos corpos Nele derramados…
Quantas batalhas Quantas guerras Nele foram sepultadas…
A Alma humana Co-afim com o mar…
Em revolta Se move Em calmaria Se descobre…
A eterna beleza das coisas simples Que escapa Ao turbilhão do mundo…
Isabel Rosete (06/o7/o7)
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