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21 เมษายน

HUMANIDES EM FOCO: FILOSOFIA

Humanidades em Foco: Revista de Ciência, Educação e Cultura
 
Ano 2 - Nº 2 - Mar/Abr/Maio de 2004Humanidades
 
        A Filosofia e Sua Sombra
 
        Resenha do livro de Nildo Viana "A Filosofia e Sua Sombra"
        Jacqueline Santana
 
        Lançado pela editora "Edições Germinal", na cidade de Goiânia em 2000, o
        livro "Filosofia e Sua Sombra", escrito por Nildo Viana, apresenta uma
        introdução crítica à filosofia e discute até que ponto os estudos
        filosóficos têm sentido na sociedade contemporânea.
        Viana é filósofo, cientista social por profissão e marxista por opção.
        Para o autor, a filosofia possui um lado sombrio e reflete friamente
        sobre a realidade em que se vive. Desta forma, ele deixa claro que
        existem dois lados da filosofia e da explicação que ela faz da
        realidade. O autor tem a preocupação de apresentá-los na obra.
        Além de uma definição precisa de filosofia, encontra-se uma reflexão
        sobre a origem e desenvolvimento do estudo filosófico.
        Alguns dos principais temas filosóficos também são apresentados
        sinteticamente e de forma introdutória: natureza humana, ética,
        conhecimento e história. O livro é enriquecido com alguns textos que
        tratam de temas atuais, importantes e de grande interesse para a
        compreensão dos debates contemporâneos: Reflexões Sobre Ética;
        Da Impossibilidade do Relativismo; Os Limites do "Marxismo"
        Fenomenológico de Karel Kosik; Mao Tse-Tung: Dialética ou Estratégia do
        PCC?; Práxis, Alienação e Consciência; Foucault: Filosofia ou
        Fetichismo? Todos, com exceção dos dois últimos, são inéditos.
        Nada contra discutir esse tema, mas o fim da filosofia já foi anunciado
        tantas vezes que a questão já pode ser considerada repetitiva. Além do
        mais, não deixa de ser curioso o fato do autor ter usado apenas
        argumentos dos pensadores políticos Marx e Marcuse.
        Richard Rorty, o filósofo norte-americano, em Filosofia e o Espelho da
        Natureza (1979) também tentou "matar" a filosofia. O que esses autores
        ainda não perceberam, é que os estudos filosóficos não são hipóteses
        específicas reunidas numa doutrina teórica, mas sim um modo
        argumentativo de pensar o mundo e as ações humanas. A filosofia
        caracteriza-se como uma postura crítica frente às coisas percebidas pelo
        indivíduo e anunciadas por outras teorias.
        Assim, ao pregarem o "fim da filosofia" esses outros divulgam um crime
        falso, porque eles mesmos a mantêm viva, ao defenderem suas idéias com
        discurso que visa o entendimento das pessoas.
        Apesar de contraditória, trata-se de uma obra que deve ser lida e se
        tornar objeto de reflexão para todos os que querem fugir do senso comum
        e adquirir conhecimentos mais completos a respeito de questões
        fundamentais. O autor tem coragem de ser crítico, engajado, ativo,
        libertário em dias de conservadorismo extremo e de "espírito de rebanho"
        (Nietzsche). Já diziam os antigos filósofos: "O homem de bem exige tudo
        de si próprio; o homem medíocre espera tudo dos outros".