แฟ้มประวัติIsabel Rosete: excertos ...รูปถ่ายบล็อกรายการเพิ่มเติม เครื่องมือ วิธีใช้
30 พฤษภาคม

Um outro...

Um outro…

 

Sempre em ânsia pela hora

Em que chegará essa criatura

Que tanto amo.

 

Criatura?

Sim.

Porque não?

 

Todo o ser humano é uma criatura,

Quiçá,

Uma bênção de Deus,

Uma dádiva da Natureza…

 

Trabalho e penso no seu rosto,

A cada instante.

Nesse jeito calmo de ser,

Terno,

Com um cheiro de malícia

E extrema sensualidade

Inconfundível

Que percorre todo o seu corpo

E a sua alma.

 

Uma alma que vive intensamente

Cada momento

 Da sua existência individual e colectiva,

Como se cada momento fosse

 O último da sua vida…

 

Respira e expira a própria vida;

Sempre a expira pelas largas narinas

Desse rechonchudo nariz,

Que diz,

Ser a única peça que não se harmoniza

Com o seu rosto moreno,

Moreno – bombom…

 

Aí estão apensos uns profundos olhos negros,

Que dizem ver sempre mais longe,

Até mesmo nos olhos dos outros,

Quando os observa

 Na mais profunda intensidade;

Sem pestanejar,

Tão fixamente,

Como as estrelas que,

No céu estrelado,

Mantêm o seu brilho.

Um brilho denso… quase eterno…

 

São pérolas negras

Que fustigam o meu olhar,

Que me trespassam

Na minha própria visceralidade,

Tal como a penetração

Do seu membro erecto

Que encaixa e rodopia no fundo da minha intimidade.

 

Há sempre uma certa magia

Em todos os seus actos,

Em todos os seus gestos…

 

Na sua voz grave,

Ao mesmo tempo,

Doce e terna,

De sons gerúndios,

Como é típico de todo o ser da América do Sul.

Essa magia apaixona,

Fascina,

Atrai,

Como um hímen a limalha de ferro.

 

De repente,

Penetra-nos,

Quase sem darmos por isso.

 

Envolve-nos num misto de sedução,

De prazer e de felicidade,

Que não é momentânea…

 

Perpetua-se em cada sinal,

Em cada movimento

 De um corpo deambulante,

Exemplificante da singularidade

 Da alma que o habita;

 

Tão livre como a da ave que,

A qualquer momento,

Sabe que pode abandonar a sua gaiola,

Mas não a sua prisão.

 

Vagueara,

Quiçá, sem destino,

Pelas múltiplas paragens da vida

E de todos os destinos humanos.

 

A atracão que exerce

É estranhamente intensa,

Torna-se quase inexplicável,

Indizível…

Inefável…

Pertence ao domínio inviolável do SENTIR,

Excedendo todo o campo semântico,

Por mais Intenso e rico que ele seja.

 

Tem um toque diferente,

Como,

Se às vezes,

Pertencesse a um outro mundo,

A um outro espaço,

Que extravasa a vulgaridade

De todas as possíveis vivências quotidianas.

 

Mantém tudo no seu preciso lugar,

Como se em si residisse,

Irremediavelmente,

Um “lugar natural”,

Um topos para cada coisa.

Todo o desvio é assumido como uma violação inevitável.

 

A sua presença é tão envolvente,

Tão cheia,

Tão redonda,

Que nada pode deixar de fora.

 

E aí permanece

Como a aranha na sua própria teia.

 

Todos os seus movimentos

Rodopiam nas malhas dessa teia gigantesca,

Abrangedora de tudo o que o rodeia,

Até mesmo de tudo aquilo

De que não tem consciência imediata.

 

O seu estar

Presentifica o próprio Universo;

Como se só existíssemos os dois;

Como se isso

A que chamamos realidade

Entrasse em nós,

Totalmente.

 

Nada,

Absolutamente nada

Pode estar fora do nosso alcance.

 

Emerge a sensação de absoluto,

De Totalidade,

Como se nós e Mundo

Fossemos uma e a mesma coisa.

 

Todas as dualidades desaparecem.

A união das partes é,

De tal modo,

Plena,

Que a divisibilidade não tem lugar,

Em nenhum momento.

 

Em nós,

Permanece o Cheio,

O Aberto,

Em perfeita comunhão.

 

E a vida,

Apesar de todas as adversidades,

Torna-se tão simples,

Tão singela,

Tão leve,

Tão radiosa,

Tão apetecível,

Que o próprio dormir

Não é efémero,

Mas um eterno momento de serenidade,

De paz,

Tão sólida e inevitável,

Que nada parece poder deixar de alcançar.

 

Sempre que esses dois seres se unem,

Até ao mais íntimo de si mesmos,

O mundo,

Neles também penetra,

Na forma da mais pura e bela gratuitidade,

Que alguma vez

Se possa sentir ou imaginar.

 

A “paz perpétua” assoma,

Mesmo nos momentos

Onde se gera a agonia,

A ansiedade,

A angústia,

Quando extravasa,

Pelo álcool,

O néctar dos deuses,

Os limites da dita racionalidade,

Da dita sobriedade...

 

São esses os momentos de excesso,

Da pura embriaguez catártica.

 

Os meandros,

As fronteiras,

Do seu pensamento,

Esbatem-se

Até às lágrimas.

 

As ideias,

Os sentimentos

E pressentimentos,

Fluem,

Transbordam,

Como um rio,

Do seu próprio leito.

 

Há,

Nele,

Um excesso de caudal

Que só a embriaguez despoleta.

 

Depois,

Volta ao silêncio;

Ao silêncio da voz.

Mas nunca ao silêncio do pensar.

 

São os momentosos da introversão que,

A catarse da embriaguez,

Voltará,

Depois,

A fazer brilhar.

 

Mas com tanto sofrimento,

Com tanta angústia,

Que o mundo parece desabar.

 

A queda é, assaz, efémera,

E logo do caos se ergue,

De novo,

A ordem,

Quando diz: “acordar para a realidade”,

Numa necessidade

De dela sempre se evadir…

 

Este é o comportamento típico

De todo o ser sensível,

Plenamente consciente

Das atrocidades da Existência humana,

Em pleno

E permanente sobressalto.

 

Urge esquecer tudo,

Entrar numa outra ordem,

Num outro espaço,

Trazido por todos os alucinogénios.

 

E, nem por isso,

A ressaca,

É assim tão terrível…

 

A lucidez parece nunca ser

Totalmente perdida.

É apenas desviada

Para outras paragens,

Que a imaginação

Requerer percorrer.

 

O mundo e os homens

Obrigam-nos a esse esquecimento,

Em prol,

Mesmo,

Da mais efémera ilusão de serenidade.

 

Nestes momentos,

Torna-se um outro de si mesmo.

O seu corpo

Lânguido,

Derrubado,

Perde toda a sua natural sensualidade magistral.

 

Vacila entre o Ser e o Não-ser,

Entre o tudo e o nada,

Como se quisesse penetrar,

De um modo hiperbólico,

Nas entranhas de tudo,

 

Como se fosse uma cobra

Que entra pelo meio do silvado

 E que,

Depois de estarrecida,

Aí permanece exposta,

Desarmada,

Porque exausta,

Depois de ter comido a sua presa.

 

Não tem mais forças para se erguer.

Quebrou todos os escudos,

Tornou-se completamente indefeso,

Confundindo-se com o próprio chão,

Onde caiu

E amoleceu instantaneamente.

Sem mais…

 

Aí permanece estendido,

Não com os olhos penetrantes,

Fulminantes,

Mas amortecidos,

Semicerrados,

Pelo excesso que neles assoma,

Oriundo da aura que espelham.

 

A alma,

Também ela derretida,

Despedaçada,

Sempre à espera de um novo reencontro consigo mesma,

De mais um nascimento,

Entre tantos outros passados

E entre tantos outros que possivelmente

Se adivinham…

 

                                                                                  Isabel Rosete

                                                                                  02/02/2001

 

 

 

 

 

Quantos são os mistérios da escrita

 

Quantos são os mistérios da escrita,

No seio da imensidão do nosso universo linguístico

 

As pausas,

Os silêncios,

E sempre as palavras

Que nos comovem ou,

Simplesmente,

Nos fazem explodir

 

Sentimos o enigma do mundo,

Na sua dispersão e re-união

 

Uma inquietante estranheza inicial

Coloca-nos na face dos mistérios

Insondáveis,

Da Natureza

E do Homem

 

Ficamos atónitos

O silêncio regressa,

Apesar de toda a prosologia

 

Iniciamos a próxima viagem,

Mais uma,

Em todo o nosso peregrinar,

Tão genuíno como o canto dos pássaros que,

A todo o instante,

Nos fazem escutar

Os seus hinos de celebração da Terra,

Que sempre acolhe os nossos passos,

Tão pesados quanto a massa do Mundo

 

Caminhamos para uma nova era,

Embora nunca saibamos,

Exactamente,

Para onde correm os rios

 

Os rios do “obscuro” de Éfeso

Que nos doou essa maravilhosa metáfora

Da sucessiva transformação

De todas as coisas,

Sempre outras,

Sempre outras…

 

Sempre as mesmas,

Num eterno retorno,

Marcado pelos traços

Da esmagadora infinitude…

 

                                                                       Isabel Rosete, 27/12/200

Amar é o desepero de um coração carente

 

 

Amar é o desespero de um coração carente

À procura da outra metade que o complete

 

Somos incapazes de nos completar a nós mesmos

Precisamos sempre de um outro

Qualquer um outro…

Procuramos o outro de nós…

 

Essa terrível e eterna dependência do outro

Que não conseguimos

Encontrar em nós …

 

Que desgraça

A do coração humano,

Sempre em falta,

Irremediavelmente só e despedaçado

 

Lamenta,

Lamenta-se…

 

Não sabe estar só,

Dialogar consigo mesmo

 

Encontra,

No seu âmago,

O vazio

Do seu próprio preenchimento

 

Amar,

É coisa dos homens

Sem dúvida

Desses seres solitários,

Incapazes de percepcionar

A solidão como outra forma de amor:

O amar-se a si mesmo…

 

E isso não basta,

A estas criaturas errantes?

 

Não

Não basta…

Nada basta…

 

Há sempre um mais e um depois,

Que aflora

Em todos os pensamentos,

Até mesmo,

Nos mais recônditos,

Inconscientes….

 

 

                                                                                              Isabel Rosete

                                                                                              09/05/20007

                                                                                              (6.00h)

 

 

 

 

02 พฤษภาคม

FILOSOFIA, PRAGMATISMO E ECOLOGIA DE EMERGÊNCIA

 

Filosofia, Pragmatismo e Ecologia de Emergência

 

Do site do Filósofo

www.ghiraldelli.<WBR>pro.br

Aristóteles chamou os primeiros filósofos de physiologoi. Eles começaram a filosofar na Jônia, uma colônia grega que, hoje, é parte da Turquia. A preocupação daqueles pensadores era com a physis, que de modo forçado traduzimos por “natureza”. Eles não separavam, como a maioria de nós faz hoje, os elementos humanos dos elementos da Terra, como sendo uns do “âmbito social” e outros do “âmbito natural”. Hoje em dia são os positivistas e os historicistas que insistem nisso. E o fazem desde o final do século XIX. Mas nós, pragmatistas, desde William James e John Dewey até Donald Davidson e Richard Rorty, tendemos a ter um maior carinho com a visão holística dos primeiros filósofos, pois imaginamos que a distinção que podemos fazer não é entre história e natureza e, sim, entre o que é natural é o que é o sobrenatural que, enfim, descartamos.

 

Mas nossa posição é, de fato, próxima da dos physiologoi? Em parte. E no que nossa posição e a deles nos ajuda, hoje, a levar a ecologia a sério? É necessário conversar e refletir. Pois o assunto não é mais “moda”, é destino.

 

Os physiologoi não desacreditaram dos deuses. Mas desacreditaram do sobrenatural. Colocaram os deuses juntos com os mortais, todo sob as mesmas descrições. Os deuses, uma vez entre nós, deveriam agir como nós. Ou então, que ficassem de fora de nosso mundo. Ou seja, as descrições dos physiologoi não admitiam a intervenção sobrenatural nas cadeias causais naturais. Assim, não destruíram a religião e os deuses, mas deram um basta na intervenção mágica, mítica. Quiseram estabelecer descrições do mundo como um mundo inteligível à razão humana. Eles enxergaram na physis uma parente próxima do logos. Quando Sócrates surgiu em Atenas, esse movimento de racionalização continuou. Sócrates também não destruiu a religião e os deuses. Ele promoveu, sim, uma reforma religiosa. Ele insistiu – diferentemente de todos os outros gregos e da tradição de Atenas – que os deuses não agiriam de forma não-ética, ou seja, tapeando os mortais ou lhes causando danos. Isso, para Sócrates, era agir com virtude. E ser virtuoso, nesse caso, era ser racional. Assim, Sócrates deu força para explicações nutridas pelo logos na medida em que colocou os deuses sob o controle de uma moral com certo padrão, retirando-os do comportamento idiossincrático contado nos mitos e cosmogonias. O novo ethos defendido foi, para Sócrates, aquilo que a physis foi para os physiologoi.

 

Assim, à primeira vista, podemos dizer que houve uma continuidade entre o pensamento dos physiologoi e o de Sócrates. Em ambos os casos, o mundo deveria ser inteligível e, sendo assim, teria de ser regrado pelo logos, pela razão. Todavia, essa continuidade foi parcial. Pois, com Sócrates, a physis não ficou em segundo plano, ela simplesmente não ficou em plano algum – ela desapareceu da filosofia. O “mundo natural”, daí para diante, passou a ser crescentemente uma preocupação de outros que não os filósofos. É claro que isso demorou para acontecer. Mas quando o Renascimento findou e entramos no que os historiadores, depois, periodizaram como sendo “a modernidade”, os filósofos foram marcados para se transformarem em especialistas em “ciências filosóficas”, e estas, por sua vez, não deveriam mais conter o estudo da natureza. No século XVIII tivemos os últimos filósofos-cientistas<WBR>. No final do século XIX já não tínhamos mais esse tipo de pensador. A universidade moderna já havia instaurado senão totalmente ao menos as divisões básicas que conhecemos hoje entre os vários campos do saber humano. Assim, aos filósofos não cabia mais o interesse pela Terra. O próprio homem deixou de ser o seu organismo e, então, se havia algo nele que os filósofos ainda poderiam estudar, era a alma em sua vida individual ou coletiva. Mas nem isso ficou sob comando filosófico. No decorrer do século XX esses elementos passaram a ser objeto da psicologia, da sociologia e da ciência política. Foi o fim completo das possibilidades de um pensamento mais integrado. Os pragmatistas ficaram fora disso. Mas eles não conseguiram fazer muito, uma vez que não tiveram aliados. O “espírito da época” do século XIX ganhou muitos intelectuais no século XX. E até pouco tempo atrás ninguém duvidava que era correto manter a divisão entre história e natureza, entre sociedade e natureza. Não à toa os estudantes aprendem, ainda hoje, em dividir as ciências em “humanas”, onde a natureza não entra, e “biológicas e exatas”, onde toda a natureza é acolhida, inclusive o organismo do homem.

 

Os próprios filósofos começaram a não mais entender o que ocorria no mundo da ciência e, então, eles mesmos quiseram se afastar desse tipo de conhecimento. Mantivemos nas faculdades de filosofia a disciplina “filosofia da ciência” e, no entanto, ela começou a ser feita, cada vez mais, por pessoas que conheciam vários discursos meta-científicos e, no entanto, não sabiam operar com a ciência básica, que teria de ter sido ensinada na escola de nível médio.

 

O pensamento ecológico do século XX quis romper com isso. Mas não teve a sorte. E quando surgiu como partido político no mundo todo (os Partidos Verdes), foi tomado pelos “desenvolvimentistas” como algo ligado ao “retrocesso romântico hippie”, algo de “gente dos anos sessenta”. Todavia, talvez possamos dizer que o esforço não foi de todo em vão. Foram os poucos “românticos” e “gente maluca” do Greenpeace que mantiveram a idéia ecológica viva. Prepararam o terreno para o que é, hoje, a nossa “consciência ecológica”. Essa consciência ecológica, agora, precisa ser ampliada e reforçada. E não se trata mais de uma “questão de princípios” e de posição filosófica, ainda que se trate, sim, disso mesmo. Agora, chegamos em uma situação que teremos de voltar a pensar um pouco como os physiologoi. E não por princípios, e sim por razões pragmáticas. Nossa vida individual está em jogo. Não é o futuro dos nossos netos que está em perigo, mas o nosso mesmo e de nossos filhos. O ex-presidente vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, que é porta voz da ONU para questões atinentes ao “aquecimento global”, está certo: chegamos na beira do precipício.

 

O que a filosofia, então, pode fazer? Nós filósofos temos de voltar a entender a Terra como nossa casa. Nossa casa não é nossa pátria ou o lugar de nossa família. É Gaia. E ela parece não estar mais disposta a conviver com a nossa agressão. Caso pudermos olhar para a physis, novamente, como o estofo do logos, melhoraremos a nossa visão sobre o que está ocorrendo. Isso pode nos ajudar na segunda parte da nossa tarefa. Qual? Precisamos nos inteirar dos aspectos técnicos do “aquecimento global” e, então, montarmos argumentos pragmáticos capazes de convencer cada vez mais gente do seguinte: os efeitos devastadores do “aquecimento global” não são “ficção científica”. A fome não será ficção científica. E ela virá, inclusive, no Brasil – rapidamente. Os efeitos sobre a nossa agricultura já se farão sentir neste ano de 2007, como os furacões não previstos já mostram, para os Estados Unidos, que as coisas estão caminhando muito rápido para uma situação incontrolável.

E qual a razão de nós, filósofos, termos de entrar nessa nova militância? Ou seja, por que não entramos apenas como gente comum, que quer ver o mundo salvo? Qual a razão de termos de entrar como filósofos? É que muitos esperam de nós que tenhamos os melhores argumentos para convencer republicanos americanos, chineses e indianos que eles não podem se opor às iniciativas que a ONU quer tomar para impedir o colapso. Uma parte dos Estados Unidos, que segue Bush, se aliou aos governos da Índia e da China, para contestar a “polícia ecológica” que a ONU quer criar. É a aliança entre grandes industriais americanos e governos de dois imensos e populosos países emergentes, cuja mão de obra é baratíssima e, então, querem continuar a crescer na medida em que servem aos industriais americanos. Esse elo de irracionalidade pode ser quebrado? Sim. Mas não pelo lado da China e da Índia. Esses países possuem governos que farão de tudo para se manterem no poder por meio de uma política suicida do pondo de vista ecológico. A mudança de posição principal tem de ocorrer nos Estados Unidos. É ali que existe uma classe média que não se contenta em viver. Ela quer viver e quer que seus netos vivam. De todos os povos do mundo, são os americanos de classe média os que mais jogam fichas na “vida futura do país”. São eles que cultivam a idéia de plantar uma árvore para que o neto venha usufruir da sombra ou ir para a guerra para que o país, depois de muitas gerações, ainda seja uma grande pátria. Essa idéia do americano médio de longevidade da pátria pode ser a chave. Caso nós, filósofos, pudermos mostrar a essa gente que eles podem não deixar nada aos filhos e muito menos aos netos, então, talvez, eles comecem a votar em gente diferente de Bush. Eles até fizeram isso, votando em Al Gore. Mas o fato de Al Gore ganhar e não levar, já mostrou bem o quanto a democracia americana pode estar funcionando como uma plutocracia. Ironicamente, agora, tem cabido ao próprio Al Gore correr o mundo e avisar a todos que todos devem avisar os americanos de que, mais uma vez, dependemos dos Estados Unidos para nos salvarmos. E desta vez o inimigo é bem mais complexo e poderoso que Hitler. E está em todo lugar.