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05 มีนาคม

A Fonte dá Fé, por Isabel Rosete

A fonte da Fé

Secou…

 

Cristo

Já não é mais milagreiro…

 

Violência

Crime…

 

Desacato

Insanidade…

 

Enchem

Preenchem…

 

A panóplia

Do Mundo em que vivemos...

 

Isabel Rosete

14/07/07

23/01/08

A Bailarina, por Isabel Rosete

A Bailarina

(A Sandra Machado)

 

Eis a viva expressão

De quem agarra a Vida

Por todos os fios possíveis

De um imaginário

Sempre reprodutivo…

 

Os seus acenos

Suaves

E determinados

Sobem

E descem…

 

Os seus paços

Leves

E silenciosos

Ascendem

E descendem

 

Erguem-se

Elevam-se

Multiplicam-se

Em todas as direcções…

 

Indicam-nos o infinito

Que nos apraz bem

 

Suspendem-nos a alma

Transportam-nos para outros lugares

Nunca imaginados…

 

São múltiplos os caminhos

Pela bailarina percorridos…

 

Entre outros estares

Entre outros rostos

Entre todos os rostos

Que nela se presentificam…

 

Os caminhos dos gestos

Das palavras

Dos sons

Que a envolvem

Num círculo

Quase perfeito…

 

Os caminhos das notas

Que a partitura preenchem

Tornam-se audíveis

Em todos as melodias

Pelo seu corpo contornadas…

 

Há sempre um som

Que a embala

Que a faz vibrar

Estremecer

Ou sonhar…

 

Por entre as linhas

Nem sempre unidas

Nem sempre definidas

Dos trilhos delgados

Do seu balancear…

 

O chamamento do som

Assoma

Que grande promessa!

 

O som puro

E cristalino

Da música

 

Semi-oculto

Semi-descoberto

 

Envolve

O corpo

E a alma

Da bailarina

Ainda capaz de o escutar…

 

A escuta

Naturalmente a escuta…

 

Qual motor originário do mundo

Que faz mover

Os seus delicados contornos…

 

Os seus movimentos

Mesmo os mais simples

Manifestam a pureza

De uma alma

A singeleza de um corpo

A nobreza de um carácter

Em momentos

De perpétua comunhão…

 

Qual corpo?

Qual alma?

 

Os da Bailarina

Fundidos

Se dão

A outros corpos

A outras almas

Nunca em vão…

 

A bailarina

Está aí

 

Dança

Balança

Rodopia

Ao tinir

De todos os acordes…

 

Faz renascer

Um ser outro

Sempre renovado…

 

Algures

Camuflado

No seio

Da sua própria interioridade…

 

Isabel Rosete

(Escrito para Sandra Machado, a bailarina)

1999

17/02/08

A Alma Humana, por Isabel Rosete

A Alma humana

Destituiu-se de si….

 

Paira

Na bruma

Das tardes cinzentas

Sem tranquilidade

Sem paz…

 

Percorre

Os infinitos caminhos do Mundo

As estradas desertas

Sem rumo determinado…

 

Procura o Paraíso perdido

Em todos os corpos outros

Sem saber

Qual a sua linhagem…

 

Ofusca-se

Com os raios do Sol…

 

Vagueia

Pelas ondas imensas

Do mar revoltoso

Companheiro dos ventos do Norte…

 

Tudo arrastam

Movem

Deslocam…

 

No redemoinho universal

Da Vida

Que rodopia

Em todos os espaços

Por todos os lugares…

 

Isabel Rosete

06/07/07

22/02/08

A ALMA, por Isabel Rosete

 

Alma

Sopro da Vida

Não cabes mais

Dentro dos teus limites

 

Transcendes-te

Rumo ao encontro

De todos os desencontros

 

Ao impossível

De todos os possíveis…

 

Evades-te

Nas dunas brancas

Das praias desertas

 

Respiras

Pura

A virgindade da Natureza

 

Escutas

Em silêncio

Os sons primordiais

 

Das profundezas

Do mar

Salgado

 

Ora verde

Ora azul

Ora vermelho

 

Manchado

Pelo sangue dos corpos

Derramados

 

Quantas batalhas

Quantas guerras

 

Nas águas cristalinas

Foram sepultadas…

 

Alma

Co-afim com o mar

 

Em revolta

Te moves

 

Em calmaria

Descobres

A eterna beleza

Das coisas simples

 

Aí estás

No correr

Das águas

 

Ao turbilhão do mundo

Nem sempre escapas…

 

Isabel Rosete

06/07/07

26/01/08